sábado, maio 14

AMOR E SEXO, NEM SEMPRE SEGUEM O MESMO CAMINHO

Amor e sexo, a dificuldade de caminharem lado a lado

 PARA ALGUNS, A SEXUALIDADE é indispensável, outros praticam-na durante longos períodos, outros ainda optam por permanecer castos. Mesmo o grande amor da vida de alguém pode ser mais ou menos erótico. Para alguns, o erotismo é indispensável e o corpo procura outro corpo com avidez. Para outros, o amor é sobretudo intimidade espiritual, convivência diária, atenções recíprocas. Todos nos inserimos num destes esquemas mentais e físicos, e, se for o adequado para nós, sentimo-nos bem e completos. Parece-me importante repetir esta ideia, porque actualmente os sexólogos tentam impor um único modelo a toda a gente, não se apercebendo de que estão a teorizar e a exercer uma verdadeira violência.

No Ocidente, a grande diversidade na correlação entre sexualidade e amor tem por base uma separação abissal que vem de há pelo menos 2 mil anos. A linguagem do amor, da poesia de Dante, de Petrarca ou de Neruda, do "Roman de la Rose" a "Love Story" passando por "Anna Karenina" centra-se na ausência, na perda, na espera, e é sempre alimentada pelo sofrimento e pela partida. Quando surge o sexo, o prazer físico, o gozo dos corpos, o amor retira-se, desvanece-se. No Ocidente, não sabemos usar a linguagem erótica para definir o amor. A linguagem erótica só é usada em três casos. O primeiro, no plano da brincadeira, de frases espirituosas como em "O Sexo e a Cidade" ou nos discursos de Luciana Littizzetto. O segundo, no âmbito do desprezo e da violência, como no livro "Porci con le ali" ou nas obras do Marquês de Sade. O terceiro é pura pornografia. Em todos os casos, o discurso erótico acaba sempre por se distanciar do amor, da paixão. Ou seja, em 2 mil anos de história, sexo e amor sempre estiveram afastados, e ainda não existe uma linguagem escrita capaz de contar um grande e sincero amor erótico total.

No livro "Sexo e Amor", estudei todas as sequências: sexualidade pornográfica e violenta e sexualidade pessoal e enamoramento, para, por fim, chegar ao amor consolidado e feliz. E apercebi-me de que não existe um único caso em que sexo e amor, emoção e prazer se fundam e convivam. Foi por isso que escrevi intencionalmente diálogos de amantes apaixonadamente amorosos e intensamente eróticos. Talvez não tenha sido bem-sucedido, mas estou convencido que se trata de um objectivo que devemos alcançar no futuro, sem o que seremos para sempre emocionalmente esquizofrénicos. Não deve espantar-nos que os amores e os casamentos durem pouco.

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