
Dia desses fui jantar em um restaurante mais intimista (um pouco frufru, mas bom), onde o segundo andar é reservado basicamente para casais que buscam um clima de romance a meia luz com decoração a la Saigon (sim, bem música Emílio Santiago). A comida é muito boa (tailandesa), mas apesar do ambiente ser romântico e apropriado para a tática abrir-pernas-na-gastronomia, ele dá um pouco de constrangimento, pois as mesas são dispostas de forma circular e você se sente como se estivesse em uma terapia de casais e a troca de olhares involuntário é inevitável, repetitiva e incômoda.
Confesso que não sou muito social, mas depois de meia garrafa de vinho na cabeça, procuro extrair o melhor das situações e o lado bom das coisas. Aproveitei o ensejo para analisar um casal que estava a minha frente. Inicialmente achei que fossem namorados, mas com o olhar analítico cafístico em ação me dei conta que era um casal que acabara de se conhecer pessoalmente e estavam em vias de se pegar (ou não). O ponto é que o cara era um abobado e estava cometendo alguns erros amadores. Acertou alguns pontos, mas errou em outros.
Por isso resolvi escrever esse post com alguns truques dos homens no primeiro encontro.
A escolha do lugar – Isso eu já escrevi em alguns posts. Se o cara no primeiro encontro te leva para comer no Mc Donald´s ou no bar da Tia da Esquina, você é um nada pra ele. Se ele te leva para o motel ou pra casa dele, você é alguma coisa – provavelmente um buraco. Veja bem, restaurante bom não é restaurante caro, você pode comer bem até em São Paulo e gastar pouco. O ponto é o cuidado do cara em te levar em um lugar especial, isso mostra preocupação sobre o que você vai pensar a respeito dos gostos dele. No caso do nosso amigo abobado, ele acertou a mão nesse quesito.
A preparação – Homem não vai ficar horas no banho e olhando o guarda roupa para escolher a melhor combinação pra ver a garota, mas se ela vale o jantar no lugar bacana, não tenha dúvida que ele vai colocar uma de suas melhores roupas para encontrá-la. E ai se o cara apareceu com uma roupa de time de futebol e/ou de regata, boa coisa você não pode esperar quando sair pra um lugar mais tranquilo. No caso do nosso amigo abobado, o cara parecia um coxinha. O cabelo divido ao meio parecendo o Beiçola, camisa social por dentro da calça e sapato. Estava over para o lugar. Porém, vamos dar uma trégua, melhor pecar pelo excesso a pecar pela falta.
O assunto – Se o cara não conhece a garota direito, é fundamental evitar assuntos polêmicos/controversos. Não é hora de mostrar atitude e dizer que é vegetariano, de repente a garota ama churrasco e vai achar o cara um eco-mala. Evita-se também assuntos relacionados a relacionamento. Os dois estão se conhecendo, não tem relação ali e fica uma situação meio estranha falar de algo que pode ou não ocorrer entre os dois. No caso do amigo abobado, não consegui pegar direito o assunto especificamente, mas só ouvi a garota dizer com muita veemência “Não concordo” e fechar o bico. Obviamente que o papo entre os dois não tem que ser aquela coisa teatralizada e política, mas é melhor deixar a atitude e polêmica para um segundo momento, de preferência depois que o cara mostrar pegada.
Assuntos que colam muito bem são relacionados a animais de estimação e criança. Obviamente a mulher não vai querer ter um filho de um cara que acabou de conhecer, mas saber que ele gosta de cachorrinhos, que se diverte com o seu sobrinho no fim de semana, o pontua na categoria “fofo” e um fofo geralmente não irá tratar uma mulher mal ou usá-la.
A comida – No primeiro encontro não é recomendável restaurante japonês ou culinária que libere gases (como a mexicana e alemã). A primeira deixa pedaços de peixe e alga pela boca e um gosto forte para beijar, a segunda infla o intestino provocando reações químicas gasosas em momentos inapropriados. Porém, no primeiro caso o paladar e o gosto de resíduos podem ser mascarados com uma bebida forte (como saquê ou vinho). O grande lance aqui é tirar proveito da situação e usar o alimento a seu favor. E aqui entro no ponto importante, o ataque.
O ataque – O cara calculista e com bom senso sabe esperar o momento certo para dar o bote na garota. É o clímax da noite, o momento pelo qual todos esperam. Ambos os lados estão com vergonha, mas se rolou o clima, basta um contexto para o beijo rolar. Nada de selinho quando for cumprimentar a garota no início, ela precisa se sentir a vontade e acreditar que o único propósito do cara é estar com uma companhia agradável.
E nessas situações, nada como usar o bom humor pra tascar um beijo. No caso do nosso amigo abobado, ele pediu a sobremesa (era um sorvete com creme). A garota provou , disse estar ótimo e ofereceu sorvete na boca do cara. Era o momento dele pegar a colher na sequência, dar na boca dela e falar “deixa eu provar agora”, ou então deixar um restinho de creme no canto da boca e esperá-la avisar que estava sujo para sugerir que ela limpasse. Beijo gelado, doce e com um contexto, metade do caminho traçado. Mas o que ele fez? Baixou o espírito quero-minha-mãe e ficou um dando sorvete na boca do outro sem nenhuma malícia, só de fanfarronice.
O pós – Qualquer homem com o mínimo de testosterona no sangue quer jantar com a garota e depois jantá-la. Papinho de “quero respeitá-la” é pra homem que não gosta muito da coisa. Ter atração sexual pela mulher não é desrespeito, é tesão. Ai cabe a mulher dar um freio ou não. Geralmente o convite do cara tem que ser algo discreto do tipo, um convite para continuar o papo em casa enquanto vêem o dvd “y”(isso para casos em que gostos musicais combinem) ou assistirem o filme “w”. Sexo não pode ser o fim, a preocupação tem que ser (ou aparentar ser) o meio.
E o que nosso amigo abobado fez? Ligou para o seu brother para saber como estava a fila da balada “x”. Ah pa porra. Sai com a garota e liga para o brother engendrar uma baladinha a três? No mínimo queria emprestar a garota para o amigo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário